A Terra a girar

Posted: Abril 24, 2012 in Mar marciano

A Terra

Não deixa de girar

E eu pensando em provas, no imposto, nos amores, na salada que não tem gosto. Eu pensando em tirar uma cópia da chave aqui de casa!

Não deixa de girar.

Há guerras e constituições sendo criadas. Há aquela urgência de se atravessar para a outra calçada: os carros vindo vindo vindo, não te deixam passar. Há meninos pedindo esmola e meninos sendo mimados. Há trânsito, câncer, ressaca, suicidas mal-amados. Há todo o tipo de coisas.

A Terra não deixa de girar.

Há cheiro de mofo, brinquedos novos, almoços. Há jantares, almanaques: futebol, samba roque e baião. Há contratos, construção civil, tinta: primeira demão. Há biscoitos e ventiladores, mais uma vez, há almanaques.

A Terra não deixa de girar

Longe, vermelho, Marte brilha. Gira também. Há montanhas e ausência de vida (?), há água congelada correndo pelas planícies, abrindo feridas. A terra vermelha se move a 868.22 km/h. Nunca para de girar.

Eu preocupado com a ração do cachorro, com o salário de novo e com tudo. E a Terra, seguida de outros sete planetas, girando sem parar…

Umas gotas de água….

Posted: Abril 19, 2012 in Mar marciano

Caem gotas d’água na minha cabeça

Eu fico perguntando se é Deus…

Caem gotas bem pequenininhas

Eu fico matutando se é Deus…

 

Pois se for

Eu vou pedir pra ele não fazer mais isso agora

Eu vou pedir talvez uma capa e galochas

Eu vou pedir pra ele se acalmar

 

Caem uns raios

Descem uns raios

De um sol amarelo

Eles ses enrolam nos meus dedos

Se acotovelam no espaço da minha mão

 

Acho que de vez em quando é bom

Ter o sol assim colado em mim

Melhor que a chuva incessante

Melhor que o molhado no jardim

 

Caem gotas d’água na minha cabeça

Eu fico perguntando se é Deus…

Caem gotas bem pequenininhas

Eu fico matutando se é Deus…

 

Pois se for

Eu vou dizer que essa chuva tem que ir

Eu vou pedir pra Ele readmitir

Que hoje é um dia de sol

Que hoje é um dia pro céu brilhar

Fabaceae

Eu lembro o teu rosto

Das coisas bonitas é a mais…

E se eu pudesse

Enquadraria

Cada sorriso teu

No meu quarto

Pra lembrar o seu jeito

O seu balançado

E o modo como você fala com as mãos

E o cabelo caindo no rosto que eu ajeito

E você a contragosto prende

Eu te digo “você é bonita”

Você ri, pois sabe que é linda…

E me pega pelo braço e aponta

Alguma coisa longe

Eu não me espanto se não enxergo

Afinal é só você quem vê mais do que eu nesse mundo ilusório que eu criei…

E de noite, quando eu me deito cedo

Fecho os olhos e te vejo ali

Incrustada em minhas pálpebras

Balançando os meus cílios

Eu sorri, fantasio…

E me lembro das coisas belas

A mais bela é você

É sim…

E o cabelo caindo no rosto que eu ajeito

E você a contragosto prende

Eu te digo “você é bonita”

Você ri, pois sabe que é linda…

E me pega pelo braço e aponta

Alguma coisa longe

Eu não me espanto se não enxergo

Afinal é só você quem vê mais do que eu nesse mundo ilusório que eu criei

Pra nós dois

Que é mais lindo que tudo…

Afinal

Lá só existe você

Só existe você…

Das Horas

Posted: Março 30, 2012 in Rua lunar

Sonoro

Vou vagando pelo espaço vazio das horas

Cansado

Sombrio

Eu me envergo pelo abismo das horas

Dormindo

Febril

Eu me perco no caminhos das horas

E as horas?

As horas me anunciam a chegada de Deus

Me evitam o contato fatal

Me evitam o contato final

Com a Paz…

Posted: Março 30, 2012 in Mar marciano

Faz muito tempo que eu não posto. É culpa da minha preguiça+UFC+falta de internet.

Pois bem, vamos ao Post.

 

Abril está chegando e, como de costume, eu não estou me sentindo muito bem. Parece que toda vez que o dia Primeiro se aproxima (que se saiba, este é o dia no qual comemoro aniversário) eu me sinto meio troncho. Se no ano passado eu me sentia mal de coração, esse ano é um enjoo maldito e uma insônia terrível. Caso alguém conheça alguma rezadeira boa que tire essa urucubaca de mim, me avise. Sou muito facilmente achado: vago entre o pici e as casas de cultura…

Partida

Posted: Janeiro 9, 2012 in Mar marciano

Se eu fosse esperar por todo mundo

Por todo o universo

Para me lançar aos céus…

Ora, eu estaria perdido!

 

Os deuses – não, eles não.

As tecnologias não me seriam amigas

Os outros povos não me seriam simpáticos:

Todo o tempo o que se quer de alguém é coragem.

 

Na minha nave minúscula eu deveria partir

Navegar e navegar e navegar

Como Ulisses, navegar!

E então cair nas cascatas da Medusa

Nos labirintos feitos pelas minhocas espaciais:

Elas existem, homens de pouca fé!

 

E eu deveria sair sem ninguém

Confiando apenas na solidão:

Única amiga de todos os homens

Fora a Morte.

 

E eu deveria ver no Sol a minha última parada

Ver em Marte minha derradeira morada

Ver no nada o lugar para descansar…

Impossível

Posted: Janeiro 9, 2012 in Mar marciano

Eu lendo o que já escrevi acabo percebendo o quanto eu não mudei. Eu queria agora estar com meus cinco zilhões de Euros passeando pelas ruas de Budapest, falando 15 idiomas e dançando tango. Não fiz nada disso e agora noto que me seria impossível. Algumas pessoas até pensariam “tudo é possível, George”, mas aí eu diria: Não, navegar no sol não é possível, ir até a cascata da medusa não é…

Tanta coisa não possível e as pessoas inventam ditados bobos. Eu não gosto disso, não gosto quando dizem que eu estou perdendo a fé, a vontade de acreditar no sonho. Eu nem sei que sonho é esse, como é que eu posso acreditar? E se perguntam se eu estou ficando engessado, não é isso. Não virei um velho antes do tempo, só não sou bobo ao ponto de achar que posso realizar tudo o que quero agora.

Agora é um tempo muito desesperado, agora é um lugar impossível, agora é perigoso e duradouro…

Eu deixo isso para o futuro. No futuro é que estão os sonhos e realizações – inalcançáveis.